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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Tomo - O melhor sushi de Lisboa


É sempre um risco afirmações absolutas como as do título desta entrada mas desde que o saudoso Aya fechou as portas o Tomo tem sido o nosso destino de romagem quando as saudades da cozinha do mestre Tomoiaki Kanazawa já não são disfarçadas pelos outros sushis – bons mas menos - que nos servem pela cidade.

Mas o título peca por defeito já que o mestre Kanazawa, antigo chef da embaixada nipónica em Lisboa,  não se limita a servir sushi mas também outros pratos de deliciosa comida tradicional japonesa dificilmente encontrados em outros restaurantes de Lisboa. É tanto assim que com frequência encontrarmos a sala quase cheia de turistas japoneses que se desviam da beaten track para aqui matarem as saudades gastronómicas.

Ao almoço existem menus pré definidos, a um preço mais convidativo. Uma escolha sempre acertada é o menu sushi, uma selecção de peixe irrepreensível que habitualmente inclui torô, a mais gorda e deliciosa parte do atum. O outro prato eleito, desta vez da carta, foi Maguro Tataki , o atum braseado, bem acompanhado por molho de miso e alho francês.  


O Tomo oferece sempre umas pequenas entradas que vão variando ao sabor da inspiração do mestre Kanazawa. Desta vez tocou-nos um preparado de atum e uma pasta de peixe branco.

A refeição descrita, cafés e chás ficou-nos por 44,80. Vale cada cêntimo.

Um último conselho:  A carta é bastante completa e cheia de razões para visitar o Tomo, mas vale a pena ignorá-la e simplesmente deixarmo-nos guiar pelas sugestões da equipa. Há sempre uma boa surpresa à nossa espera.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O Melhor - O petisco ao Possolo


Campo de Ourique gostar de chamar a si tudo o há de melhor.  O tão afamado “melhor bolo de chocolate do mundo”, o “melhor pastel de nata de Lisboa”, “as melhores lojas de tecidos”, “o melhor bairro para viver”.

Depois há os restaurantes. Uns muito conhecidos, com chef’s de renome, e outros mais modestos, com cozinheiros(as) que ninguém conhece, mas que fazem as delícias de quem lá come. É o caso do restaurante “O Melhor”, que não nos cansamos de visitar.

Aqui não há guardanapos de pano, copos brilhantes e pratos imaculados. Aqui encontra -se um ambiente descontraído onde se levam amigos ou família para conversar e petiscar durante horas entre caracóis, caracoletas assadas (com molho picante porque é o melhor), pica-pau de vaca, de porco ou misto, moelas com fígados ou sem eles, bem fritinhos, pregos, entre outros. Estas frituras são devidamente acompanhadas por outras, em forma de palito, que de tão boas que são até se comem frias.

Os mariscos, apesar de constarem da lista, raramente se encontram, mas sempre que há, não deixamos escapar as amêijoas.

O vinho da casa, em jarro, não convence os grandes apreciadores, mas cumpre os requisitos necessários para garantir grande animação.

Sendo um espaço muito procurado por grupos torna-se, por vezes, um pouco desagradável pelo fumo (é permitido fumar no restaurante) e pelo decibéis das conversas que trepam na mesma medida que o álcool.

O estacionamento não é fácil, mas nada que umas voltas ao quarteirão ou uma caminhada não resolvam.

Na Rua do Possolo, simplesmente, “O Melhor”.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Umai Chiado - A Ásia em Lisboa


A Ásia é um bocado de terra que começa em Istambul e se estende até ao Japão, o país onde o sol nasce. Como se calcula, não é fácil nem barato conhecer o continente asiático, o mais extenso à face da Terra. Mas basta ir ao número 78 da Rua da Misericórdia para pelo menos conhecer os seus paladares graças ao Chef Paulo Morais - o equivalente moderno e gastronómico de Fernão Mendes Pinto - que por lá peregrinou, aprendeu os ensinamentos dessas terras distantes e voltou decidido a missionar-nos no gosto pelos sabores orientais. E nós já nos convertemos há muito.

Mais concretamente, seguimo-lo assiduamente desde os tempos do QB em Oeiras e mantemos essa perseguição nos Umais: O Izakaya do Umai e o Umai do Chiado, os mais recentes projectos do Paulo e da Anna Lins.

Mas vamos ao que interessa. O nosso último almoço no Umai do Chiado começou por dois pratos incontornáveis: a espuma de caril com vieiras (acompanhadas pela crocante cebola frita) e as cornucópias de sésamo com caranguejo real e molho yuzu. Obrigatório.

De seguida dividimos um menu Umai, que varia diariamente, composto por quatro pratos dos quais guardamos especial memória dos baozis com caril de porco e das guiozas de alperce.

Para beber escolhemos dois magníficos chás: o de jasmim com flores e o verde, com pipoca de arroz.

Tudo ficou-nos por pouco menos de 20 € por pessoa, montante que nem um táxi paga em Tóquio, por exemplo.

Todos os pratos com uma apresentação cuidada mas elegantemente despretensiosa, a combinar com a decoração do espaço.  Já agora, parece que umai é uma expressão japonesa usada informalmente quando queremos dizer que a comida nos sabe bem. Poucos restaurantes lisboetas se poderão gabar de ter um nome tão apropriado. 


sexta-feira, 26 de julho de 2013

de Castro Elias – Do cachaço de bacalhau e outras iguarias



Conseguem imaginar uma espécie de patanisca bem redondinha, fofa e enxuta, e em que finas lascas de bacalhau se desfazem na boca? O Chef Miguel Castro Silva, do Restaurante de Castro Elias, chamou-lhe Iscas do Cachaço de Bacalhau. Na verdade, não lhes poderia chamar outra coisa: as pataniscas preparam-se desfiando o fiel amigo e misturando no polme, enquanto as iscas são lascas de bacalhau passadas por polme e fritas.  Nós chamámos-lhes um figo.

Este foi um dos quatro pratos para picar que não seleccionámos da lista: limitámo-nos a fazer eco do pedido da senhora da mesa lado, habitué da casa, tal o entusiasmo, justificadíssimo, com que o recomendava à sua comensal.

Já ao comando da carta, quisemos manter-nos na primeira metade da lista - os ditos pratos para picar -, experimentando um peixe novo para nós, a Cavala fumada com escabeche de cebola. Um belo filete da dita com uma colherada de cebola que nos deixa em lágrimas quando acaba, pela vontade que nós dá de continuar a comê-la.

Mais conservador nas investidas gastronómicas, o meu parceiro fez uma aposta segura nos Ovos de Codorniz com Chouriço. Nunca falha.

Terminámos com uma Açorda com Cogumelos e Enchidos. Mesmo os que não apreciam esta forma de comer o pão ficariam rendidos à mistura de sabores entre cogumelos frescos e enchidos bem picadinhos.

Um apontamento para as bebidas. A água está sempre disponível em todas as mesas numa elegante e personalizada garrafa com a inscrição do nome do restaurante. Para os que não têm receio de beber ao almoço, o vinho a copo é uma excelente opção. No caso, um bem sugerido Quinta da Lagoalva tinto, meio encorpado e algo doce, um parceiro à altura dos pratos experimentados.

O espaço não é grande,  o que o torna mais acolhedor, com decoração despojada e moderna. O atendimento é cordial e afável.

Couvert composto por pão fatiado e uma deliciosa pasta de azeitona preta, quatro pratos para picar, um copo de vinho e água fica em média por 14€. Para estômagos que careçam de maior ocupação, não provámos mas recomendaram-nos, as amêijoas com feijão manteiga e a tiborna de bacalhau. Fica para a próxima! 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Sol e Pesca - O peixe vem da lata




Há muito que o Cais do Sodré (CdS) nos atrai. Atrai-nos desde os tempos das discotecas decadentes e dos bares dançantes de gosto tããstavam s s que os frequentavam quando nançantes de gosto muito duvidoso, frequentados por  sabor nada tem a ver.o duvidoso como as senhoras que os frequentavam. As mesmas que, encostadas às paredes dos prédios, pareciam suportar e evitar a  sua ruína.

Mas o CdS mudou. Depois de um prolongado encerramento, reabriu em Setembro de 2011, com nova roupagem. Para além da zona de bares e discotecas – a Pensão Amor é imperdível -, agora também nos oferece excelentes espaços para refeições ou simples petiscos.

Um dos nossos preferidos é o Sol e Pesca, uma antiga loja de artigos para pescadores que pegou na ideia por trás de sítios como a Conserveira Nacional, melhorando-a ao disponibilizar pequenas mesas e bancos onde é possível degustar iguarias em lata enquanto se espreita a movida da Rua Nova do Carvalho

A lista é grande e de difícil escolha. A ajuda é facultada pela existência de um polegar na lista, com os pratos aconselhados pela casa, ou pela simpatia e eficiência da Catarina.

Desta vez pedimos sardinha fumada em azeite picante, filete de truta fumada em azeite e a obrigatória muxama (atum fumado e com aspecto de presunto, mas cujo sabor em nada se assemelha). A anchova em rolo de azeite teria sido uma boa opção, se o Sol e Pesca não tivesse sido invadido  na véspera por um grupo de cinquenta turistas italianos que esgotaram o stock por completo, depois da prova da dita.

Todos os pratos – pequenos, que aqui pratica-se a nobre arte do petisco -, são preparados na hora, devidamente acompanhados por um gomo de limão, e aromatizados com salsa ou cebolinho. É imperdoável não pedir um cesto de pão.

No final da refeição, se algum prato lhe deixou água na boca ou se pretender experimentar outro que não teve oportunidade no restaurante, é só pedir à Catarina para tirar as latas da vitrina e levá-las para casa.

O preço médio, sem vinho, ronda os 12,00€.

Longe vão os tempos em que as conservas de peixe tinham sido renegadas ao parente pobre da gastronomia. Na Rua Nova do Carvalho promove-se, e bem, o conceito de servir peixe em lata que continua a despertar-nos a vontade de voltar; seja para a petisqueira in loco, seja para reabastecer a despensa destas pequenas doses de prazer em lata.